Lágrimas nos olhos, coração doendo. Há uma cicatriz aberta em meu coração, uma cicatriz até que recente, mas que com certeza deixará eterna marca em meu peito. Um corte que, como se já não fosse absurdo por si só, foi infeccionado por terríveis males como o tempo, o descuido, o descaso, a ignorância, o esquecimento, o medo, o amanhã, o ontem, o hoje. Ele, ela, eles, elas, ninguém… Não há ninguém que possa ajudar-me a curar tal cicatriz, há? Não há ser humano que seja capaz de olhar para minha cicatriz (terrível lembrança marcada a ferro de tempos que foram-se cedo demais, e que nunca irão voltar; de pessoas que me machucaram desumanamente e as quais não só amei como ainda amo; de amizades que perderam-se enquanto os ponteiros do relógio movimentavam-se; lembranças, enfim, de lágrimas derramadas – mas insuficientes… Lágrimas que nunca foram secadas, por isso insistem em cair) e não sentir receio, preconceito e até mesmo nojo. Nojo de minha dor, preconceito de meu sofrimento, e receio… Receio de curar-me. Receio de proteger meu pequeno coração de tal dor; dor esta que assemelha-se a um câncer, crescendo diariamente dentro de mim, sugando-me a vida e a saúde – ou o resto dela. Não há pessoa no mundo capaz de tomar minhas dores e curá-las. Não há. E eu preciso parar de pensar que, algum dia, ela passará a existir.

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